Análise: Breakout Beyond traz a revitalização de uma fórmula de quase 50 anos

A Atari tem trabalhado com firmeza para trazer releitura dos seus clássicos para as novas gerações. Após a série Recharged, que reuniu nomes como Asteroids, Gravitar, Black Widow e Caverns of Mars, parece que a ideia é fazer mudanças ainda mais ousadas sob a chancela Beyond.Após um bom começo com Lunar Lander Beyond, chegou a vez do célebre Breakout ganhar um novo look com Breakout Beyond. Vale lembrar que esta é a segunda vez que ele ganha uma releitura moderna da Atari, sendo Breakout: Recharged a anterior.Mudança de perspectivaComumente, jogamos Breakout em uma área fechada, controlando uma barra horizontal ao fundo, que rebate uma bolinha com o objetivo de destruir uma formação de tijolos por completo. Podemos ser auxiliados por poderes, que vão desde aumentar o tamanho da barra até criar mais bolinhas e aumentar o poder de destruição simultânea.Em Breakout Beyond, as coisas mudam um pouco. A progressão é na horizontal, enquanto a barra que controlamos está na vertical, como no célebre Pong. Além disso, o objetivo principal não é mais destruir todos os tijolos, e sim levar a bolinha a uma linha de chegada, sendo os tijolos obstáculos no caminho, tudo isso dentro de quatro minutos.Uma mudança significativa é que, como a tela “corre” com o caminho que a bolinha vai abrindo, os tijolos vão descendo e atrapalhando o movimento da barra, que pode ser impedida de fazer sua rebatida. Os poderes ainda existem e, ao todo, temos nove habilidades que podem nos ajudar a concluir a fase. Elas variam desde a barreira protetora que se forma antes do rebatedor e o laser até os já conhecidos multiball, que triplicam as esferas, e a bomba que destrói um pequeno grupo de tijolos ao redor.A bolinha também ganhou algumas propriedades, mas é aí que as coisas ficam um pouco mais complexas. Se acertarmos muitas rebatidas seguidas, ela fica mais poderosa e consegue eliminar mais tijolos de uma vez, só que fica bem mais veloz. Podemos desacelerar a chegada dela ao custo de pontos acumulados com nossos combos, porém isso nem sempre garante que vai dar tempo de chegar até ela.Outra propriedade bacana, mas difícil de dominar, é a de colocar um efeito de curva. Em alguns momentos, é possível rebater de maneira que a bola faça uma trajetória arqueada, em vez de seguir em linha reta para quicar nas extremidades do cenário. Isso ocorre sempre que acertamos ela com o rebatedor em movimento, mas nem sempre esse efeito é aplicado.Logo, isso evidencia como controlar Breakout Beyond no sentido diferente pode ser complicado no começo. Para mim, que sempre estive acostumado com a orientação clássica, lidar com essa mudança foi um pouco difícil nas primeiras fases. Claro que essa é uma questão de costume que varia de jogador para jogador.Quem tiver dificuldades pode recorrer à ajuda de um amigo. O multiplayer local está disponível desde o início e, nele, o primeiro e o segundo jogador se movimentam livremente pela tela, podendo decidir deixar um rebatedor à frente do outro, como se fosse uma segunda linha de defesa, ou ficar lado a lado, como um bloqueio duplo.Outro ponto que eu considero falho são os registros de pontuação. Ao finalizar todos os desafios, liberamos o Modo Infinito, que registra nossa marca em um ranking online global, e é sempre bacana alcançar o topo da lista. Porém, o mesmo não se aplica aos demais cenários, o que é uma pena, pois também valeria a pena buscar o topo em cada um deles.Cores, luzes, explosões e confusõesComo visto em Lunar Lander, o subtítulo Beyond traz mudanças mais significativas para os jogos, seja esteticamente ou à sua jogabilidade. Em Breakout Beyond, a ideia foi mexer no ritmo da ação, já que a identidade visual é um pouco mais difícil de receber alterações ousadas.O fundo preto serve de apoio para que todo o choque de luzes neon e cores vivas ganhem destaque, e eles até fazem um bom trabalho dentro da proposta do jogo, mas não evitam momentos de poluição visual que acabam atrapalhando um pouco. No meio das explosões e vaivéns, fica fácil perder a bolinha de vista, ainda mais quando tem mais de uma tela e junta com lasers e raios. Como cada fase tem suas estruturas fixas, fica fácil se acostumar por questões de memória via repetição, porém, ainda assim, é algo que pode tornar as coisas mais difíceis e custar preciosas vidas.Já a trilha sonora tenta agir de maneira discreta, mas ganha um destaque curioso. Temos melodias eletrônicas que vão se intensificando, mas sem querer ditar o ritmo de jogo ou trazer muita energia, como se ela quisesse preservar o foco do jogador, trazendo um clima mais minimalista e ambiental.O que acontece é que os efeitos sonoros do impacto da bolinha nos tijolos e uso dos poderes acabam adicionando batidas rítmicas e nos tornando uma espécie de DJ acidental. É uma camada que, com certeza, não é o foco de Breakout Beyond, porém que acaba sendo algo divertido, pois, mesmo em um mesmo estágio, a música pode acabar soando levemente diferente.Um clássico é um clássico, ainda que difer

Abr 5, 2025 - 14:14
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Análise: Breakout Beyond traz a revitalização de uma fórmula de quase 50 anos
A Atari tem trabalhado com firmeza para trazer releitura dos seus clássicos para as novas gerações. Após a série Recharged, que reuniu nomes como Asteroids, Gravitar, Black Widow e Caverns of Mars, parece que a ideia é fazer mudanças ainda mais ousadas sob a chancela Beyond.

Após um bom começo com Lunar Lander Beyond, chegou a vez do célebre Breakout ganhar um novo look com Breakout Beyond. Vale lembrar que esta é a segunda vez que ele ganha uma releitura moderna da Atari, sendo Breakout: Recharged a anterior.

Mudança de perspectiva

Comumente, jogamos Breakout em uma área fechada, controlando uma barra horizontal ao fundo, que rebate uma bolinha com o objetivo de destruir uma formação de tijolos por completo. Podemos ser auxiliados por poderes, que vão desde aumentar o tamanho da barra até criar mais bolinhas e aumentar o poder de destruição simultânea.

Em Breakout Beyond, as coisas mudam um pouco. A progressão é na horizontal, enquanto a barra que controlamos está na vertical, como no célebre Pong. Além disso, o objetivo principal não é mais destruir todos os tijolos, e sim levar a bolinha a uma linha de chegada, sendo os tijolos obstáculos no caminho, tudo isso dentro de quatro minutos.

Uma mudança significativa é que, como a tela “corre” com o caminho que a bolinha vai abrindo, os tijolos vão descendo e atrapalhando o movimento da barra, que pode ser impedida de fazer sua rebatida. Os poderes ainda existem e, ao todo, temos nove habilidades que podem nos ajudar a concluir a fase. Elas variam desde a barreira protetora que se forma antes do rebatedor e o laser até os já conhecidos multiball, que triplicam as esferas, e a bomba que destrói um pequeno grupo de tijolos ao redor.

A bolinha também ganhou algumas propriedades, mas é aí que as coisas ficam um pouco mais complexas. Se acertarmos muitas rebatidas seguidas, ela fica mais poderosa e consegue eliminar mais tijolos de uma vez, só que fica bem mais veloz. Podemos desacelerar a chegada dela ao custo de pontos acumulados com nossos combos, porém isso nem sempre garante que vai dar tempo de chegar até ela.

Outra propriedade bacana, mas difícil de dominar, é a de colocar um efeito de curva. Em alguns momentos, é possível rebater de maneira que a bola faça uma trajetória arqueada, em vez de seguir em linha reta para quicar nas extremidades do cenário. Isso ocorre sempre que acertamos ela com o rebatedor em movimento, mas nem sempre esse efeito é aplicado.

Logo, isso evidencia como controlar Breakout Beyond no sentido diferente pode ser complicado no começo. Para mim, que sempre estive acostumado com a orientação clássica, lidar com essa mudança foi um pouco difícil nas primeiras fases. Claro que essa é uma questão de costume que varia de jogador para jogador.

Quem tiver dificuldades pode recorrer à ajuda de um amigo. O multiplayer local está disponível desde o início e, nele, o primeiro e o segundo jogador se movimentam livremente pela tela, podendo decidir deixar um rebatedor à frente do outro, como se fosse uma segunda linha de defesa, ou ficar lado a lado, como um bloqueio duplo.

Outro ponto que eu considero falho são os registros de pontuação. Ao finalizar todos os desafios, liberamos o Modo Infinito, que registra nossa marca em um ranking online global, e é sempre bacana alcançar o topo da lista. Porém, o mesmo não se aplica aos demais cenários, o que é uma pena, pois também valeria a pena buscar o topo em cada um deles.

Cores, luzes, explosões e confusões

Como visto em Lunar Lander, o subtítulo Beyond traz mudanças mais significativas para os jogos, seja esteticamente ou à sua jogabilidade. Em Breakout Beyond, a ideia foi mexer no ritmo da ação, já que a identidade visual é um pouco mais difícil de receber alterações ousadas.

O fundo preto serve de apoio para que todo o choque de luzes neon e cores vivas ganhem destaque, e eles até fazem um bom trabalho dentro da proposta do jogo, mas não evitam momentos de poluição visual que acabam atrapalhando um pouco. No meio das explosões e vaivéns, fica fácil perder a bolinha de vista, ainda mais quando tem mais de uma tela e junta com lasers e raios. 

Como cada fase tem suas estruturas fixas, fica fácil se acostumar por questões de memória via repetição, porém, ainda assim, é algo que pode tornar as coisas mais difíceis e custar preciosas vidas.

Já a trilha sonora tenta agir de maneira discreta, mas ganha um destaque curioso. Temos melodias eletrônicas que vão se intensificando, mas sem querer ditar o ritmo de jogo ou trazer muita energia, como se ela quisesse preservar o foco do jogador, trazendo um clima mais minimalista e ambiental.

O que acontece é que os efeitos sonoros do impacto da bolinha nos tijolos e uso dos poderes acabam adicionando batidas rítmicas e nos tornando uma espécie de DJ acidental. É uma camada que, com certeza, não é o foco de Breakout Beyond, porém que acaba sendo algo divertido, pois, mesmo em um mesmo estágio, a música pode acabar soando levemente diferente.

Um clássico é um clássico, ainda que diferente

Breakout Beyond carrega no seu nome um legado difícil de ser ignorado. Mesmo mudando o sentido de uma fórmula de quase 50 anos, ainda é um jogo viciante que fará os jogadores sempre irem atrás de mais uma chance naquela fase chata. A nova perspectiva e os detalhes visuais intensos podem atrapalhar um pouco a assimilação deste modelo, mas quem gosta de um desafio às antigas não irá se desapontar.

Prós

  • A mudança de orientação da vertical para a horizontal, em conjunto com a necessidade de atingir uma linha de chegada, traz uma nova dinâmica para o desafio;
  • O efeito de curva é um bom recurso para atingir locais estratégicos com mais precisão;
  • O uso de cores vivas e luzes neon combina bem com a proposta de jogo;
  • 72 fases únicas que podem ser jogadas por uma ou duas pessoas;
  • A trilha sonora consegue dar um bom apoio para a ação na tela. 

Contras

  • Aplicar o efeito de curva exige uma precisão certeira e nem sempre corresponde com a nossa tentativa;
  • Em algumas fases, as luzes e cores causam uma certa poluição visual;
  • Ausência de ranking online por fases;
  • A troca de orientação pode deixar alguns jogadores perdidos por um tempo até se acostumarem.
Breakout Beyond — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise feita com cópia digital cedida pela Atari