Cientistas emitem alerta após fazerem descoberta preocupante no local mais profundo do Mar Mediterrâneo

Uma equipe internacional de pesquisadores mergulhou até o ponto mais profundo do Mar Mediterrâneo, conhecido como Calypso Deep, localizado a… Esse Cientistas emitem alerta após fazerem descoberta preocupante no local mais profundo do Mar Mediterrâneo foi publicado primeiro no Misterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.

Abr 2, 2025 - 22:51
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Cientistas emitem alerta após fazerem descoberta preocupante no local mais profundo do Mar Mediterrâneo
Cientistas emitem alerta após fazerem descoberta preocupante no local mais profundo do Mar Mediterrâneo

Uma equipe internacional de pesquisadores mergulhou até o ponto mais profundo do Mar Mediterrâneo, conhecido como Calypso Deep, localizado a 5,15 quilômetros abaixo da superfície. Lá, encontraram algo que surpreendeu até os mais experientes: 167 objetos de lixo acumulados no solo oceânico. O achado, publicado no Marine Pollution Bulletin e liderado pela Universidade de Barcelona, revela uma das maiores concentrações de resíduos já registradas em águas tão profundas.

Os detritos incluem plásticos, vidro, metal e papel. Entre eles, 148 itens foram classificados como resíduos marinhos, enquanto o restante teve origem claramente humana. A descoberta foi possível graças ao uso do submarino Limiting Factor, uma nave de alta tecnologia capaz de suportar pressões extremas. As imagens capturadas mostram sacos de lixo empilhados e até uma trilha retilínea formada por detritos, indício de que navios despejaram intencionalmente parte desses materiais.

Um "ponto crítico de lixo" no fundo do Calypso Deep (Marine Pollution Bulletin)

Um “ponto crítico de lixo” no fundo do Calypso Deep (Marine Pollution Bulletin)

“Infelizmente, não seria exagero dizer que ‘nem um centímetro do Mediterrâneo está limpo’”, alertou Miquel Canals, professor da Universidade de Barcelona e diretor da Cátedra UB de Economia Azul Sustentável. Ele explica que a região é especialmente vulnerável devido à alta atividade humana, circulação de navios e baixa renovação de suas águas. Um estudo anterior já havia identificado o Estreito de Messina, entre a Itália e a Sicília, como a área com a maior densidade de lixo marinho do mundo.

O problema, segundo os pesquisadores, é que limpar profundidades como as do Calypso Deep é um desafio técnico imenso. A pressão da água, a falta de luz e a dificuldade de acesso tornam qualquer operação de remoção praticamente inviável. Por isso, a solução precisa ser preventiva: reduzir a produção de lixo, implementar políticas globais contra o descarte irregular e conscientizar a população sobre hábitos de consumo.

Itens encontrados pelo submarino (Marine Pollution Bulletin)

Itens encontrados pelo submarino (Marine Pollution Bulletin)

O Mediterrâneo, um mar semifechado e cercado por 22 países, recebe cerca de 200 mil toneladas de plástico por ano, segundo estimativas. Parte desse material acaba em áreas remotas como o Calypso Deep, onde permanece por décadas ou séculos. Canals destaca que o fundo do mar ainda é um território desconhecido para a maioria das pessoas, o que dificulta a mobilização social e política para sua proteção. “É preciso uma união entre cientistas, comunicadores, influenciadores e a mídia para tornar visível um problema que já é enorme, mesmo que não esteja diante dos nossos olhos”, afirmou.

A pesquisa reforça que o lixo marinho não se limita a praias ou regiões costeiras. Partículas microscópicas de plástico já foram encontradas em organismos de animais das fossas mais profundas do planeta, e agora a descoberta no Mediterrâneo prova que até mesmo ecossistemas isolados estão sob ameaça. Os cientistas esperam que o estudo sirva de base para acordos internacionais mais rígidos, como a proibição de embarcações despejarem resíduos no mar e a ampliação de programas de reciclagem.

Enquanto isso, o alerta permanece: cada saco de lixo, garrafa ou fragmento abandonado em rios, praias ou cidades tem potencial para chegar aos lugares mais inóspitos do planeta. E, uma vez no fundo do mar, dificilmente haverá volta.

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