Atomfall – Review/ Análise

Após anos se destacando por eliminar nazistas na franquia Sniper Elite e enfrentar zumbis nazistas em Zombie Army, a Rebellion decidiu mudar sua rota criativa. Anunciado no evento do Xbox em junho do ano passado, Atomfall representa essa guinada do estúdio ao trazer uma nova perspectiva, ainda tratando de guerra — mas, desta vez, com […] O post Atomfall – Review/ Análise apareceu primeiro em Combo Infinito.

Abr 3, 2025 - 18:30
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Atomfall – Review/ Análise

Após anos se destacando por eliminar nazistas na franquia Sniper Elite e enfrentar zumbis nazistas em Zombie Army, a Rebellion decidiu mudar sua rota criativa. Anunciado no evento do Xbox em junho do ano passado, Atomfall representa essa guinada do estúdio ao trazer uma nova perspectiva, ainda tratando de guerra — mas, desta vez, com os efeitos de um desastre nuclear.

Inspirado por conceitos de jogos como Fallout e Stalker, Atomfall se propõe como um antídoto aos inúmeros jogos de sobrevivência excessivamente realistas e, por vezes, frustrantes. O mais novo título da Rebellion chegou ao mercado em 27 de março de 2025, para PS5, PS4, Xbox Series, PC e também via Game Pass. Recebemos uma cópia da versão de PS5 para esta análise.

Diante de toda essa mudança criativa da Rebellion, será que Atomfall consegue se sustentar e ditar um novo rumo para o estúdio britânico que há anos não proporciona algo inovador e diferente?

E se a Inglaterra sofresse um acidente nuclear?

Imagine acordar sem memória em meio a uma realidade devastada por um acidente nuclear. Em Atomfall, você é esse personagem sem nome ou origem definida. A única informação que temos é que, em outubro de 1957, um projeto secreto do Ministério da Defesa causou o primeiro grande desastre nuclear do mundo, em Windscale, no norte da Inglaterra. A região foi isolada, e todas as comunicações com o mundo exterior foram cortadas. Cinco anos depois, o destino daqueles presos na zona de quarentena continua um mistério.

Ao despertar em um bunker abandonado, o jogador se vê diante de um mundo sem explicações ou direções claras. A narrativa, na verdade, funciona como um quebra-cabeça, onde a busca por respostas substitui a tradicional estrutura de início, meio e fim. A inspiração na narrativa indireta da FromSoftware é clara. Tudo o que o jogador sabe vem de documentos, objetivos desbloqueados via exploração e de um telefone com uma voz misteriosa que fornece pistas enigmáticas sobre o que fazer.

Para quem não está acostumado com esse estilo, a narrativa fragmentada pode parecer um defeito. Porém, dentro da proposta de liberdade total e de progressão não linear, essa ausência de roteiro guiado abre espaço para o real destaque: a exploração e o mistério de Windscale.

Apesar da narrativa diluída pelo mundo, ela consegue estabelecer conexões interessantes entre eventos secundários que ajudam a preencher lacunas do grande mistério. Enquanto a história principal se desenvolve de forma sutil, os personagens e o mundo são os verdadeiros pilares da experiência.

Explorar é o que mais importa

Com uma exploração totalmente aberta, o jogo apresenta novos objetivos conforme você interage com o mundo ou conversa com NPCs. No início, o sistema de marcação de objetivos pode parecer confuso, pois diversos ícones surgem no mapa de forma desordenada. Com o tempo, isso melhora graças à opção de filtrar as missões por local. Ainda assim, a interface poderia ser mais intuitiva.

Esse sentimento de descobrir o desconhecido é o grande charme do jogo. Quem curte exploração vai adorar Atomfall. O jogo constantemente incentiva o jogador a investigar novos lugares e seguir pistas espalhadas pelos cenários. E o melhor: você nunca ficará sem o que fazer. Há sempre um objetivo ou mistério à espera, oferecendo fragmentos de uma narrativa rica e bem construída.

Além disso, o jogo lida bem com a escassez de recursos, o que torna cada expedição importante para a sobrevivência. Entretanto, a liberdade vem com um custo.

Um mundo com identidade própria

Atomfall retrata com competência os efeitos de um desastre nuclear, criando uma realidade composta por facções, monstros e sobreviventes. Cada região apresenta seus próprios elementos, ajudando a construir a identidade do mundo. Tudo no cenário tem contexto e propósito, e a exploração é recompensada com pistas sobre o passado daquele lugar.

O jogo também oferece pequenas atividades secundárias, como desenterrar objetos com um equipamento especial — um passatempo curioso que incentiva pausas na exploração principal.

No entanto, se a exploração é o ponto alto, o combate deixa a desejar. A falta de munição contrasta com inimigos que parecem ter balas infinitas. Além disso, ao entrar em combates, o jogador é frequentemente atingido por tiros de direções indefinidas e cercado por inimigos em excesso. É frustrante, mas felizmente o combate pode ser evitado em muitos casos.

Problemas mecânicos também atrapalham: há obstáculos simples que não podem ser escalados, o que incomoda durante a movimentação.

O jogo possui ainda um sistema de habilidades simples, que pode ser aprimorado com itens encontrados nos cenários. A árvore de habilidades é dividida por estilos de gameplay e oferece melhorias pontuais.

Como título de geração cruzada, Atomfall carrega limitações visuais. Jogando no PS5, a performance foi estável a 60fps, com poucas quedas. No entanto, há serrilhados em objetos distantes e modelos de NPCs repetidos, trocando apenas as roupas — uma falha estética herdada da franquia Sniper Elite.

Apesar disso, o visual é vibrante, e a ambientação transmite bem a sensação de um mundo pós-desastre nuclear. A construção dos biomas, criaturas, facções e regiões reforça a identidade única do jogo.

Mas afinal, Atomfall é tudo isso mesmo?

Com inspirações claras em Fallout e Elden Ring, Atomfall foca na exploração acima de tudo. Mesmo com uma narrativa em segundo plano, a imersão em um território inglês devastado consegue se conectar à trama de maneira consistente. É um experimento ousado da Rebellion, que demonstra potencial, mas ainda precisa de polimento.

Sua presença no Game Pass certamente vai facilitar o acesso de muitos jogadores. A grande questão será: quantos estarão dispostos a mergulhar em um mundo com tanta liberdade e uma história contada nas entrelinhas?

Por fim, comente o que você achou do novo trailer de Sciel. Além disso, compartilhe com os amigos e não deixe de acompanhar nossas últimas notícias e análises de séries e jogos.

Veredito: Atomfall aposta em conceitos que vimos em Elden Ring com uma narrativa fragmentada e alta exploração. E a exploração é o grande núcleo desta experiência que traz consigo problemas crônicos da Rebellion. João Antônio

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