Portugal no topo das "recolhas" de carros
Até os automóveis novos que saem dos concessionários podem ter defeitos de fábrica que comprometem a segurança de condutores e passageiros. Ainda que alguns problemas se tornem evidentes com o tempo, os fabricantes são obrigados por lei a proceder à recolha dos veículos afetados e a repará-los. Ainda assim, muitas pessoas ignoram estas campanhas de recolha (ou recalls, em inglês) – assim, muitos veículos circulam nas estradas com problemas de fabrico por resolver. Especialistas da carVertical realizaram um estudo para determinar em que países existe o maior risco de comprar um automóvel usado com recolhas de segurança pendentes. O estudo analisou relatórios históricos de veículos comprados pelos utilizadores da empresa entre janeiro 2023 e setembro de 2024 e contabilizou a percentagem de relatórios que continham informações sobre recolhas de automóveis. Os dados da empresa permitem identificar se a recolha estava resolvida, não resolvida, ou se o estado do problema era desconhecido. Porque é que alguns veículos são convocados para reparação? As campanhas de recolha são uma prática comum na indústria automóvel, que afetam todos os fabricantes a determinada altura. Os airbags, os cintos de segurança, os travões e os sistemas elétricos costumam ser os principais culpados. Embora muitos defeitos de fábrica sejam pouco preocupantes, alguns podem constituir riscos de segurança críticos – nesses casos, a condução dos veículos chega mesmo a ser desaconselhada. Normalmente, estes problemas costumam ser resolvidos durante a manutenção regular do veículo, com o mínimo de incómodo para os automobilistas, mas por vezes são situações que obrigam a chamar o carro às oficinas de forma deliberada. Alguns defeitos de fabrico podem ter consequências graves. Em 2013, circularam notícias a nível mundial sobre airbags defeituosos produzidos pela empresa japonesa Takata, que deixaram milhões de veículos sem condições de segurança. Fabricantes como a BMW, a Chrysler, a Ford, a Honda, a Mazda, a Nissan e a Toyota recolheram os automóveis que tinham airbags Takata para serem reparados. Ainda assim, registaram-se mortes e ferimentos e, uma década depois, ainda é possível encontrar veículos com estes airbags defeituosos no mercado de veículos em segunda mão. Maioria das recolhas em Portugal ainda não foi resolvida Entre os automóveis verificados pela carVertical em Portugal, 18,2% tinham sido objeto de um processo de recolha pelo menos uma vez. Este valor coloca Portugal em 1.º lugar entre os 26 países incluídos no estudo. Aproximadamente 38% destes automóveis tiveram os seus defeitos resolvidos, mas a maioria continua a circular nas estradas com problemas por resolver ou em situação desconhecida. Ao comprar um automóvel usado, é essencial verificar se o fabricante emitiu alguma recolha para esse veículo e, em caso afirmativo, se o problema foi resolvido. Ignorar recolhas por resolver pode comprometer a segurança e provocar problemas mecânicos a longo prazo. Países do Sul da Europa têm taxas de recolha mais elevadas De acordo com o estudo, Portugal é seguido pela Grécia (17,6%), Espanha (14,5%), Bulgária (13,9%), e Alemanha (11,5%). O número de automóveis com recolhas resolvidas varia consoante os países. Na Grécia, 50,2% dos proprietários responderam aos avisos de recolha, em comparação com 42,2% em Espanha, 42,6% na Bulgária e 48,5% na Alemanha. Estes números indicam que muitos condutores não levam a sério os defeitos de fabrico e optam por os ignorar. As taxas de recolha mais baixas foram registadas no Reino Unido (3,1%), na Bélgica (3,1%) e nos EUA (3,2%). Tendo em conta a elevada percentagem de recolhas de veículos não resolvidas e a crescente complexidade da tecnologia automóvel, é crucial que os consumidores tomem medidas proactivas quando compram um automóvel usado. Assim, devem aproveitar as bases de dados online que permitem acompanhar o historial de recolhas, verificar as reparações, e consultar os fabricantes e concessionários autorizados para garantir que o veículo é seguro. [Pela Estrada Fora]

Ainda assim, muitas pessoas ignoram estas campanhas de recolha (ou recalls, em inglês) – assim, muitos veículos circulam nas estradas com problemas de fabrico por resolver. Especialistas da carVertical realizaram um estudo para determinar em que países existe o maior risco de comprar um automóvel usado com recolhas de segurança pendentes.
O estudo analisou relatórios históricos de veículos comprados pelos utilizadores da empresa entre janeiro 2023 e setembro de 2024 e contabilizou a percentagem de relatórios que continham informações sobre recolhas de automóveis. Os dados da empresa permitem identificar se a recolha estava resolvida, não resolvida, ou se o estado do problema era desconhecido.
Porque é que alguns veículos são convocados para reparação?
As campanhas de recolha são uma prática comum na indústria automóvel, que afetam todos os fabricantes a determinada altura. Os airbags, os cintos de segurança, os travões e os sistemas elétricos costumam ser os principais culpados. Embora muitos defeitos de fábrica sejam pouco preocupantes, alguns podem constituir riscos de segurança críticos – nesses casos, a condução dos veículos chega mesmo a ser desaconselhada. Normalmente, estes problemas costumam ser resolvidos durante a manutenção regular do veículo, com o mínimo de incómodo para os automobilistas, mas por vezes são situações que obrigam a chamar o carro às oficinas de forma deliberada.Alguns defeitos de fabrico podem ter consequências graves. Em 2013, circularam notícias a nível mundial sobre airbags defeituosos produzidos pela empresa japonesa Takata, que deixaram milhões de veículos sem condições de segurança. Fabricantes como a BMW, a Chrysler, a Ford, a Honda, a Mazda, a Nissan e a Toyota recolheram os automóveis que tinham airbags Takata para serem reparados. Ainda assim, registaram-se mortes e ferimentos e, uma década depois, ainda é possível encontrar veículos com estes airbags defeituosos no mercado de veículos em segunda mão.
Maioria das recolhas em Portugal ainda não foi resolvida
Entre os automóveis verificados pela carVertical em Portugal, 18,2% tinham sido objeto de um processo de recolha pelo menos uma vez. Este valor coloca Portugal em 1.º lugar entre os 26 países incluídos no estudo.Aproximadamente 38% destes automóveis tiveram os seus defeitos resolvidos, mas a maioria continua a circular nas estradas com problemas por resolver ou em situação desconhecida.
Ao comprar um automóvel usado, é essencial verificar se o fabricante emitiu alguma recolha para esse veículo e, em caso afirmativo, se o problema foi resolvido. Ignorar recolhas por resolver pode comprometer a segurança e provocar problemas mecânicos a longo prazo.
Países do Sul da Europa têm taxas de recolha mais elevadas
De acordo com o estudo, Portugal é seguido pela Grécia (17,6%), Espanha (14,5%), Bulgária (13,9%), e Alemanha (11,5%). O número de automóveis com recolhas resolvidas varia consoante os países. Na Grécia, 50,2% dos proprietários responderam aos avisos de recolha, em comparação com 42,2% em Espanha, 42,6% na Bulgária e 48,5% na Alemanha. Estes números indicam que muitos condutores não levam a sério os defeitos de fabrico e optam por os ignorar.As taxas de recolha mais baixas foram registadas no Reino Unido (3,1%), na Bélgica (3,1%) e nos EUA (3,2%).
Tendo em conta a elevada percentagem de recolhas de veículos não resolvidas e a crescente complexidade da tecnologia automóvel, é crucial que os consumidores tomem medidas proactivas quando compram um automóvel usado. Assim, devem aproveitar as bases de dados online que permitem acompanhar o historial de recolhas, verificar as reparações, e consultar os fabricantes e concessionários autorizados para garantir que o veículo é seguro.