Internet para streamers: especialista explica o que é essencial para começar a fazer lives

Estima-se que, no Brasil, tenhamos aproximadamente 15 mil streamers, de acordo com dados publicados pelo Meio & Mensagem em 2023. Durante o período de isolamento social, plataformas como a Twitch experimentaram um verdadeiro boom, com aumentos expressivos tanto no número de criadores quanto de espectadores. No cenário nacional, o streaming deixou de ser um hobby de nicho para se tornar uma possibilidade concreta de carreira, especialmente para quem busca visibilidade, autonomia e renda por meio do entretenimento digital. Por trás de uma transmissão de qualidade, no entanto, não estão apenas câmeras e computadores potentes: uma conexão estável e rápida à internet é absolutamente essencial para garantir que o conteúdo chegue ao público sem travamentos, atrasos ou quedas de sinal, fatores que podem afastar espectadores e prejudicar a experiência do streamer.Para entender melhor os requisitos técnicos e sanar as dúvidas de quem tem interesse em seguir nessa área, o GameBlast conversou com Lucas Rodrigues, gerente de comunicação da Leste, que compartilhou sua visão sobre os bastidores da infraestrutura ideal para quem quer começar no mundo do streaming. Observação: as respostas foram editadas por motivos de clareza.GameBlast: Qual a velocidade recomendada para transmissões ao vivo com qualidade?Lucas Rodrigues: Para garantir uma transmissão estável e de qualidade, o ideal é contar com pelo menos 10 Mbps de upload para transmissões em HD. Se a ideia for oferecer conteúdo em Full HD, é recomendável dobrar essa taxa, chegando a 20 Mbps de upload.GB: Qual a diferença prática entre conexões de 2,5 Gbps e 10 Gbps para streaming?LR: Para a maioria dos streamers, uma conexão de 2,5 Gbps já é extremamente confortável e até mesmo superior ao necessário. Ela comporta múltiplas transmissões em alta resolução com folga. A conexão de 10 Gbps se torna mais relevante em ambientes corporativos ou estruturas mais robustas, como data centers, onde há um volume muito maior de dados trafegando simultaneamente. Para uso doméstico, a diferença raramente é perceptível.GB: Como calcular a velocidade ideal em uma casa com vários usuários ativos?LR: O cálculo deve considerar o uso simultâneo de cada pessoa. Imagine dois usuários assistindo a vídeos em 4K (o que exige cerca de 25 Mbps cada), um jogando online (cerca de 5 Mbps) e outro navegando ou usando redes sociais (mais 5 Mbps). Isso já totaliza aproximadamente 60 Mbps. Sempre recomendo adicionar uma margem de segurança, para evitar gargalos durante picos de uso.GB: Qual a melhor forma de se conectar para transmissões: cabo ou Wi-Fi?LR: O cabo de rede (Ethernet) continua sendo a forma mais confiável para quem busca estabilidade e baixa latência — especialmente importante para streamers e gamers. O Wi-Fi, embora prático, está mais suscetível a interferências. Se for necessário usar rede sem fio, opte por Wi-Fi 6 (802.11ax), que oferece mais velocidade e eficiência, principalmente em ambientes com vários dispositivos conectados.[Nota da autora: O Wi-Fi 6 (também conhecido como 802.11ax) é uma versão mais moderna e eficiente do Wi-Fi que a maioria das pessoas conhece. Ele foi projetado para lidar melhor com vários dispositivos conectados ao mesmo tempo, mantendo a estabilidade e a velocidade da conexão.]GB: Onde deve ser instalado o roteador para melhor desempenho em lives?LR: A posição do roteador influencia diretamente na qualidade do sinal. O ideal é instalá-lo em uma área central da casa, longe de paredes espessas e aparelhos eletrônicos que podem causar interferência. Além disso, colocá-lo em um ponto elevado — como no alto de uma estante — ajuda bastante na propagação uniforme do sinal.GB: Quais são os erros mais comuns ao contratar um plano de internet rápido?LR: Um erro recorrente é achar que só contratar um plano “potente” já resolve tudo. Muitas vezes, o usuário mantém equipamentos antigos, como roteadores que não suportam as novas velocidades. Outro problema está na configuração padrão do roteador, que pode não estar otimizada para priorizar certos tipos de tráfego. Além disso, confiar exclusivamente no Wi-Fi, sem considerar a qualidade da rede local, pode comprometer a experiência.GB: O roteador influencia muito na performance da conexão?LR: Sem dúvida. O roteador é praticamente o “coração” da rede. Modelos compatíveis com Wi-Fi 6, com portas gigabit e recursos de QoS (Quality of Service) ajudam muito. Esse último recurso, inclusive, permite priorizar o tráfego de dados mais sensível — como o de streaming ou jogos —, garantindo uma experiência mais fluida.GB: Além do roteador, que outros fatores limitam a conexão?LR: Alguns fatores são pouco percebidos, mas fazem diferença. Cabos Ethernet antigos, como os de categoria inferior a Cat5e, podem limitar a velocidade da conexão. O mesmo vale para placas de rede desatualizadas nos computadores. E há ainda as interferências externas, como as causadas por micro-ondas e telefones sem fio, que podem prejudicar muito o sinal Wi-Fi.GB: Co

Abr 4, 2025 - 14:12
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Internet para streamers: especialista explica o que é essencial para começar a fazer lives

Estima-se que, no Brasil, tenhamos aproximadamente 15 mil streamers, de acordo com dados publicados pelo Meio & Mensagem em 2023. Durante o período de isolamento social, plataformas como a Twitch experimentaram um verdadeiro boom, com aumentos expressivos tanto no número de criadores quanto de espectadores. 


No cenário nacional, o streaming deixou de ser um hobby de nicho para se tornar uma possibilidade concreta de carreira, especialmente para quem busca visibilidade, autonomia e renda por meio do entretenimento digital. Por trás de uma transmissão de qualidade, no entanto, não estão apenas câmeras e computadores potentes: uma conexão estável e rápida à internet é absolutamente essencial para garantir que o conteúdo chegue ao público sem travamentos, atrasos ou quedas de sinal, fatores que podem afastar espectadores e prejudicar a experiência do streamer.

Para entender melhor os requisitos técnicos e sanar as dúvidas de quem tem interesse em seguir nessa área, o GameBlast conversou com Lucas Rodrigues, gerente de comunicação da Leste, que compartilhou sua visão sobre os bastidores da infraestrutura ideal para quem quer começar no mundo do streaming. Observação: as respostas foram editadas por motivos de clareza.

GameBlast: Qual a velocidade recomendada para transmissões ao vivo com qualidade?

Lucas Rodrigues: Para garantir uma transmissão estável e de qualidade, o ideal é contar com pelo menos 10 Mbps de upload para transmissões em HD. Se a ideia for oferecer conteúdo em Full HD, é recomendável dobrar essa taxa, chegando a 20 Mbps de upload.

GB: Qual a diferença prática entre conexões de 2,5 Gbps e 10 Gbps para streaming?

LR: Para a maioria dos streamers, uma conexão de 2,5 Gbps já é extremamente confortável e até mesmo superior ao necessário. Ela comporta múltiplas transmissões em alta resolução com folga. A conexão de 10 Gbps se torna mais relevante em ambientes corporativos ou estruturas mais robustas, como data centers, onde há um volume muito maior de dados trafegando simultaneamente. Para uso doméstico, a diferença raramente é perceptível.

GB: Como calcular a velocidade ideal em uma casa com vários usuários ativos?

LR: O cálculo deve considerar o uso simultâneo de cada pessoa. Imagine dois usuários assistindo a vídeos em 4K (o que exige cerca de 25 Mbps cada), um jogando online (cerca de 5 Mbps) e outro navegando ou usando redes sociais (mais 5 Mbps). Isso já totaliza aproximadamente 60 Mbps. Sempre recomendo adicionar uma margem de segurança, para evitar gargalos durante picos de uso.

GB: Qual a melhor forma de se conectar para transmissões: cabo ou Wi-Fi?

LR: O cabo de rede (Ethernet) continua sendo a forma mais confiável para quem busca estabilidade e baixa latência — especialmente importante para streamers e gamers. O Wi-Fi, embora prático, está mais suscetível a interferências. Se for necessário usar rede sem fio, opte por Wi-Fi 6 (802.11ax), que oferece mais velocidade e eficiência, principalmente em ambientes com vários dispositivos conectados.

[Nota da autora: O Wi-Fi 6 (também conhecido como 802.11ax) é uma versão mais moderna e eficiente do Wi-Fi que a maioria das pessoas conhece. Ele foi projetado para lidar melhor com vários dispositivos conectados ao mesmo tempo, mantendo a estabilidade e a velocidade da conexão.]


GB: Onde deve ser instalado o roteador para melhor desempenho em lives?

LR: A posição do roteador influencia diretamente na qualidade do sinal. O ideal é instalá-lo em uma área central da casa, longe de paredes espessas e aparelhos eletrônicos que podem causar interferência. Além disso, colocá-lo em um ponto elevado — como no alto de uma estante — ajuda bastante na propagação uniforme do sinal.

GB: Quais são os erros mais comuns ao contratar um plano de internet rápido?

LR: Um erro recorrente é achar que só contratar um plano “potente” já resolve tudo. Muitas vezes, o usuário mantém equipamentos antigos, como roteadores que não suportam as novas velocidades. Outro problema está na configuração padrão do roteador, que pode não estar otimizada para priorizar certos tipos de tráfego. Além disso, confiar exclusivamente no Wi-Fi, sem considerar a qualidade da rede local, pode comprometer a experiência.

GB: O roteador influencia muito na performance da conexão?

LR: Sem dúvida. O roteador é praticamente o “coração” da rede. Modelos compatíveis com Wi-Fi 6, com portas gigabit e recursos de QoS (Quality of Service) ajudam muito. Esse último recurso, inclusive, permite priorizar o tráfego de dados mais sensível — como o de streaming ou jogos —, garantindo uma experiência mais fluida.


GB: Além do roteador, que outros fatores limitam a conexão?

LR: Alguns fatores são pouco percebidos, mas fazem diferença. Cabos Ethernet antigos, como os de categoria inferior a Cat5e, podem limitar a velocidade da conexão. O mesmo vale para placas de rede desatualizadas nos computadores. E há ainda as interferências externas, como as causadas por micro-ondas e telefones sem fio, que podem prejudicar muito o sinal Wi-Fi.

GB: Como testar se a internet está realmente entregando o que promete?

LR: O ideal é usar ferramentas como o Speedtest.net em horários variados. Mas, para ter uma medição fiel, é importante desconectar outros dispositivos da rede e, se possível, fazer o teste conectado via cabo. Além da taxa de download, vale ficar de olho especialmente na velocidade de upload, que costuma ser mais crítica para quem faz transmissões.


GB: Que configuração básica você recomenda para quem está começando e tem pouco orçamento?

LR: Para quem está dando os primeiros passos no mundo das lives, o mais importante é encontrar um bom equilíbrio entre custo e desempenho. Uma conexão com pelo menos 10 Mbps de upload já permite transmissões em HD com qualidade razoável. No quesito equipamento, um roteador compatível com Wi-Fi 5 (802.11ac) costuma oferecer uma boa relação custo-benefício.

Sempre que possível, recomendo o uso de conexões cabeadas, que garantem mais estabilidade, especialmente em casas com muitos dispositivos conectados. Assim, mesmo com recursos limitados, é possível alcançar transmissões estáveis e com boa qualidade de imagem.

GB: Para encerrar, não dá para fazer streaming sem o jogo. Qual é a largura de banda ideal para os downloads atuais, que às vezes ultrapassam 100 GB, como Baldur's Gate 3?

LR: Muitos lançamentos hoje ultrapassam os 100 GB, exigindo conexões robustas para não deixar o jogador horas esperando. Para uma boa experiência, 200 Mbps de download já são suficientes para garantir agilidade, mesmo com outros dispositivos conectados. Mas, para quem busca velocidade máxima, planos de 500 Mbps ou até 1 Gbps são ideais, desde que os servidores do jogo também suportem esse tráfego.


Já começou a fazer lives ou está montando seu setup? A entrevista foi útil para você? Conte para a gente nos comentários como tem sido sua experiência como streamer!

Revisão: Vitor Tibério
Arte original de capa: Compare Fibre (via Unsplash)
Agradecimentos à Comunica PR, assessoria de imprensa da Leste