Tarifas de Trump “derretem” ações da Apple e ameaçam preços nos EUA
Após meses de expectativas (e apreensão), a Casa Branca anunciou ontem tarifas sobre importações de países que impõem…


Após meses de expectativas (e apreensão), a Casa Branca anunciou ontem tarifas sobre importações de países que impõem altos impostos em produtos fabricados nos Estados Unidos. No caso, o presidente americano Donald Trump estabeleceu uma tarifa mínima de 10%, com taxas mais altas para o que ele chamou de “ofensores”.
As tarifas atingem países onde a Apple fabrica seus produtos — bem como outras empresas americanas. O resultado mais imediato foi uma queda drástica nos valores das ações de várias companhias, principalmente das Big Techs.
No caso da Apple, suas ações [$AAPL
] caíram quase 10% na abertura da Nasdaq hoje e estão avaliadas no momento em US$202,82; no fechamento do pregão, ontem (3/4), elas estavam cotadas em US$223,39.

Nessa “brincadeira”, a Apple perdeu mais de US$250 bilhões em valor de mercado e possui agora um market cap avaliado em cerca de US$3,048 trilhões — ainda a número um no mundo, vale notar.
Países cujas tarifas afetam a Apple
A Apple é especialmente vulnerável às tarifas, já que considera a China um importante centro de fabricação — e onde Trump planeja impor uma tarifa de pesados 54% a partir do dia 9 de abril. A Apple também fabrica alguns produtos em países como o Vietnã, sobre o qual uma grande tarifa de 46% foi anunciada.
Uma reportagem da Bloomberg destaca o índice das tarifas em países onde a Apple possui alguma presença em termos de fabricação:
- China: 34% adicionais, elevando a tarifa total para 54%
- Irlanda: 20%
- Índia: 26%
- Japão: 24%
- Malásia: 24%
- Taiwan: 32%
- Tailândia: 36%
- Vietnã: 46%
As tarifas, se não forem retiradas (algo que pode acontecer, dado o histórico de Trump), poderão causar aumentos nos preços de eletrônicos para consumidores ou margens de lucro reduzidas para empresas como a Apple, se elas optarem por arcar com parte dos custos.
No último governo de Trump, a Apple conseguiu obter isenções tarifárias e até mesmo as contornou completamente para alguns produtos — mas o presidente americano afirmou que não fornecerá isenções desta vez.
Possíveis desdobramentos comerciais
O analista da cadeia de fornecedores da Apple, Ming-Chi Kuo, disse que se a Apple não aumentar seus preços, sua margem de lucro bruto poderá cair até 9%.
No entanto, há algumas razões para suspeitar que nem a Apple nem seus clientes acabarão pagando as tarifas — ou pelas quais a empresa conseguirá reduzir o impacto delas.
- A Apple poderá aumentar a produção do iPhone na Índia ou no Vietnã, se os países conseguirem a isenção das tarifas (o que é mais provável do que a China conseguir qualquer isenção).
- A Apple também poderá usar estratégias como aumentar os subsídios das operadoras ou cortar os descontos do programa Trade-In para compensar os custos tarifários.
- A Apple poderá pressionar ainda mais seus fornecedores para cortar custos.
Kuo disse ainda que, em última instância, a empresa poderá sim optar por aumentar os preços dos seus dispositivos — nesse caso, os modelos topos-de-linha seriam os mais propensos a receberem esses aumento. Isso porque, no mercado americano, os iPhones mais caros representam cerca de 70% das vendas de modelos novos — cujos consumidores “são relativamente mais receptivos a aumentos de preços”.
O analista alega, por fim, que mesmo se as tarifas derrubarem a margem de lucro bruto da Apple para abaixo de 40%, essa queda deverá durar pouco. A maior preocupação está nas potenciais consequências macroeconômicas das novas políticas tarifárias, já que a confiança e o poder de compra do consumidor poderão prolongar os ciclos de substituição de dispositivos da Apple.