3 anos, 1 mês e 16 dias

Esse foi o tempo que eu levei pra chegar ao meu primeiro cargo de liderança técnica na área de tecnologia. Eu não sou o sênior de 2 anos, muito menos o tech lead de 3 anos, pelo contrário eu comecei essa jornada antes mesmo de pensar em trabalhar em tecnologia, comecei essa jornada lá pelos idos de 2007 quando fui "líder" de alguns peões num estaleiro, líder entre aspas pois não tinha experiência e conhecimento nenhum sobre como liderar, orientar e inspirar alguém, eu quem fui orientado, liderado e inspirado por esses peões, carrego comigo para sempre tudo o que esses caras, pacientemente, compartilharam comigo. Amarilzo, Benites, Seu Bahia, Bidu, Di Menor, Henrique, Marreta, Azul, Seu Quadros(que tive o prazer de encontrar recentemente numa padaria aqui perto de casa) entre outros, que muito provavelmente jamais saberão o impacto que deixaram na minha vida profissional. Quando sai do estaleiro, fui alçado ao cargo de inspetor, é um nome e um cargo imponente, mas na verdade só significa que você é o responsável por todas as merdas que aparecerem ao longo da sua "inspeção". e aqui eu passei 12 anos da minha vida e lidei com dezenas, centenas de problemas diferentes que a área de petróleo e gás pode oferecer. De gente brigando de faca à bordo à vazamento de óleo na água. E muitas vezes eu estava sozinho, no meio do oceano, sem comunicação, eu tinha que decidir ali na hora o que fazer, como fazer e porque fazer. Uma vez um representante do cliente me encurralou numa sala e disse a celebre frase: "Eu sou cliente, você tem que fazer o que eu mando ou eu vou enfiar o custo de 12 horas de um navio parado na sua empresa." E eu respondi: "Eu represento uma inspetora independente, nós seguimos as normas internacionais XYZ, e pelas normas não podemos fazer dessa forma, se você quiser que façamos diferente preciso de uma autorização expressa da minha empresa via e-mail para ser anexada aos documentos." Obviamente me preparei para a demissão, mas eu estava correto e meu chefe direto me apoiou. Histórias como essa eu tenho várias, poderia ficar 8 horas num bar, bebendo, só contanto minhas histórias de bordo. Tudo isso me deu casca para um belo dia eu simplesmente pedir demissão de um lugar onde eu era o braço direito do dono e tentar a "sorte" em TI, sorte entre aspas porque eu sabia que eu poderia lidar com qualquer tipo de problema, meu maior medo era a parte técnica. Mas então, um gerente de TI chamado Denis me disse em uma reunião, onde eu estava sendo direcionado para uma equipe, que "a parte técnica você aprende" e de fato eu aprendi, não por mágica, sorte ou qualquer outra superstição mas sim com muita dedicação, desespero e esforço. Em muitos momentos pensei em voltar para a minha antiga área, pensei que não daria conta, pensei que estava entregando pouco, pensei, pensei, pensei... Na verdade era só medo do desconhecido e medo a gente encara e supera. Esses dois últimos parágrafos são um lembrete pro meu eu de amanhã que vai surtar, se desesperar e achar que não dá conta. Então eu não sou um líder técnico de 3 anos, eu sou um profissional capaz de liderar tecnicamente uma equipe que foi forjado ao longo de 17 anos.

Apr 3, 2025 - 02:02
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3 anos, 1 mês e 16 dias

Esse foi o tempo que eu levei pra chegar ao meu primeiro cargo de liderança técnica na área de tecnologia.

Eu não sou o sênior de 2 anos, muito menos o tech lead de 3 anos, pelo contrário eu comecei essa jornada antes mesmo de pensar em trabalhar em tecnologia, comecei essa jornada lá pelos idos de 2007 quando fui "líder" de alguns peões num estaleiro, líder entre aspas pois não tinha experiência e conhecimento nenhum sobre como liderar, orientar e inspirar alguém, eu quem fui orientado, liderado e inspirado por esses peões, carrego comigo para sempre tudo o que esses caras, pacientemente, compartilharam comigo.

Amarilzo, Benites, Seu Bahia, Bidu, Di Menor, Henrique, Marreta, Azul, Seu Quadros(que tive o prazer de encontrar recentemente numa padaria aqui perto de casa) entre outros, que muito provavelmente jamais saberão o impacto que deixaram na minha vida profissional.

Quando sai do estaleiro, fui alçado ao cargo de inspetor, é um nome e um cargo imponente, mas na verdade só significa que você é o responsável por todas as merdas que aparecerem ao longo da sua "inspeção".

e aqui eu passei 12 anos da minha vida e lidei com dezenas, centenas de problemas diferentes que a área de petróleo e gás pode oferecer.

De gente brigando de faca à bordo à vazamento de óleo na água.

E muitas vezes eu estava sozinho, no meio do oceano, sem comunicação, eu tinha que decidir ali na hora o que fazer, como fazer e porque fazer.

Uma vez um representante do cliente me encurralou numa sala e disse a celebre frase: "Eu sou cliente, você tem que fazer o que eu mando ou eu vou enfiar o custo de 12 horas de um navio parado na sua empresa."

E eu respondi: "Eu represento uma inspetora independente, nós seguimos as normas internacionais XYZ, e pelas normas não podemos fazer dessa forma, se você quiser que façamos diferente preciso de uma autorização expressa da minha empresa via e-mail para ser anexada aos documentos."

Obviamente me preparei para a demissão, mas eu estava correto e meu chefe direto me apoiou.

Histórias como essa eu tenho várias, poderia ficar 8 horas num bar, bebendo, só contanto minhas histórias de bordo.

Tudo isso me deu casca para um belo dia eu simplesmente pedir demissão de um lugar onde eu era o braço direito do dono e tentar a "sorte" em TI, sorte entre aspas porque eu sabia que eu poderia lidar com qualquer tipo de problema, meu maior medo era a parte técnica.

Mas então, um gerente de TI chamado Denis me disse em uma reunião, onde eu estava sendo direcionado para uma equipe, que "a parte técnica você aprende" e de fato eu aprendi, não por mágica, sorte ou qualquer outra superstição mas sim com muita dedicação, desespero e esforço.

Em muitos momentos pensei em voltar para a minha antiga área, pensei que não daria conta, pensei que estava entregando pouco, pensei, pensei, pensei...

Na verdade era só medo do desconhecido e medo a gente encara e supera.

Esses dois últimos parágrafos são um lembrete pro meu eu de amanhã que vai surtar, se desesperar e achar que não dá conta.

Então eu não sou um líder técnico de 3 anos, eu sou um profissional capaz de liderar tecnicamente uma equipe que foi forjado ao longo de 17 anos.